Orientar um aprendiz exige mais do que supervisionar tarefas e avaliar resultados: envolve compreender as particularidades de cada jovem e reconhecer o papel educativo presente na rotina profissional. Com essa perspectiva, o Centro Salesiano do Aprendiz (CESAM) de Goiânia realizou mais uma edição do Grupo de Trabalho com Orientadores (GTO) em seis unidades do Supermercado Tatico. O encontro reuniu profissionais da empresa parceira para discutir aspectos da Lei da Aprendizagem, as responsabilidades e as práticas de acompanhamento dos adolescentes e jovens no ambiente de trabalho.
O GTO é uma iniciativa metodológica do CESAM Goiânia voltada à qualificação dos orientadores dos aprendizes do Programa de Socioaprendizagem nas empresas em que os jovens atuam. Embora não seja uma exigência legal com essa denominação específica, a iniciativa contribui para colocar em prática as diretrizes de acompanhamento educativo e orientação das empresas previstas na legislação da aprendizagem profissional. Os encontros acontecem nas próprias organizações, permitindo relacionar as informação apresentadas às condições concretas de cada ambiente de trabalho. A proposta é integrar a entidade formadora e as empresas em torno de responsabilidades compartilhadas, para que o aprendiz seja apoiado tanto como integrante da equipe quanto como alguém em processo de formação.
Leonardo Pinheiro, analista socioeducativo do CESAM Goiânia, explica que o grupo de trabalho busca fortalecer a atuação de quem acompanha os jovens diariamente e aproximar as práticas empresariais dos objetivos educativos do programa. “O Programa de Socioaprendizagem não é só inserção no mercado de trabalho, é formação humana integral baseada no Sistema Preventivo de Dom Bosco. O objetivo principal do GTO é alinhar a tríade aprendiz-empresa-entidade, conscientizando e qualificando o orientador para exercer também seu papel como educador corresponsável pela formação.”
Durante os encontros, os conteúdos são organizados de acordo com as necessidades da aprendizagem profissional e com as características de cada empresa. Entre os assuntos abordados estão jornada de trabalho, controle de ponto, férias, rescisão contratual, efetivação, acompanhamento das atividades práticas e limites das atribuições do aprendiz. Também são discutidas questões como discriminação, assédio, atividades insalubres ou perigosas, saúde mental e comunicação não violenta, além do uso de avaliações e advertências como instrumentos educativos, respeitando os direitos e deveres dos aprendizes e das empresas.
No Supermercado Tatico, a edição do GTO possibilitou o alinhamento de conhecimentos e práticas entre os profissionais participantes, considerando os desafios encontrados no apoio aos aprendizes no cotidiano da empresa. Naiane Morais, Business Partner do supermercado, avalia que a iniciativa favorece a condução do trabalho socioeducativo e amplia a compreensão sobre as responsabilidades envolvidas. “Foi um momento muito positivo e enriquecedor, que possibilitou a troca de experiências, o compartilhamento de conhecimentos e o alinhamento de ideias, contribuindo para o aprimoramento do papel dos orientadores.”
A atuação do orientador tem impacto direto na maneira como o jovem vivencia sua primeira experiência profissional. Por isso, o GTO também propõe a reflexão sobre situações cotidianas que podem ser interpretadas de maneira equivocada, como dificuldades de comunicação, timidez, insegurança ou necessidade de maior acompanhamento. A intenção é ajudar os profissionais a distinguir situações que exigem direcionamento daquelas que demandam outras formas de condução. “Com o grupo de trabalho, a empresa percebe o CESAM Goiânia não como fiscalização, mas como um apoio. As avaliações ficam mais formativas e o aprendiz entende o que precisa melhorar. É uma iniciativa que gera impactos muito positivos no aprendiz, pois o jovem se sente mais seguro, o que pode contribuir para reduzir a ansiedade e a evasão”, explica Leonardo.
Essa mudança de perspectiva também transforma a relação entre o CESAM e as empresas parceiras. Segundo o analista socioeducativo, quando o orientador compreende a dimensão formativa de sua função, o acompanhamento pode contribuir para a permanência do jovem no programa, para avaliações mais construtivas e para a prevenção de conflitos e desligamentos precoces. "A empresa passa a contar com referências mais claras sobre como conduzir as atividades práticas e oferecer devolutivas que favoreçam o amadurecimento profissional e pessoal do aprendiz. O orientador é quem está a maior parte do tempo com o jovem. O GTO ajuda a mostrar para a empresa que a socioaprendizagem é um processo educativo e que ela está formando um profissional em condição de desenvolvimento.”
Naiane também destaca os reflexos do encontro na rotina de trabalho dos jovens no supermercado. Para ela, o encontro colabora para dar mais consistência às práticas adotadas pela equipe e para lidar com as necessidades que surgem durante a experiência profissional dos aprendizes. “Esse momento contribuiu para fortalecer a atuação dos orientadores, proporcionando mais conhecimento, segurança e direcionamento no acompanhamento dos aprendizes. Além disso, favorece a troca de experiências e o alinhamento de práticas, tornando o processo de aprendizagem mais eficiente e contribuindo para o desenvolvimento profissional e pessoal dos jovens.”
Inspirado no Sistema Preventivo de Dom Bosco, o Grupo de Trabalho com Orientadores busca transformar a maneira como os profissionais compreendem e exercem seu papel junto aos aprendizes. Ao reconhecer que atitudes, avaliações e formas de comunicação influenciam a trajetória dos jovens, os participantes passam a enxergar situações cotidianas sob uma perspectiva educativa, substituindo julgamentos por oportunidades de crescimento. Ao promover o diálogo com as empresas e oferecer direcionamentos ajustados à realidade de cada negócio, o CESAM Goiânia fortalece a parceria com os orientadores e amplia as condições para que a aprendizagem profissional seja conduzida com responsabilidade e compromisso com a formação integral dos jovens.


