Mesmo depois de um ano de sua partida para a Casa do Pai, o Papa Francisco permanece intensamente presente na vida da Igreja, que continua a recordar com gratidão o seu Pontificado. Seu empenho total por revelar o rosto da Misericórdia de Deus e sua voz firme em favor de uma Igreja a serviço dos mais pobres permanecem como marcas indeléveis do seu Magistério, além de traços que moldaram, e continuarão a orientar, a missão eclesial nos próximos anos.
A lembrança de alguns de seus colaboradores mais próximos
“O Pontífice argentino costumava dizer que o importante não é ocupar espaços, mas iniciar processos. E acredito que ele iniciou muitos processos”, afirmou, por ocasião do aniversário, o Cardeal Baldo Reina, Vigário Geral da Diocese de Roma, principal colaborador do Papa na condução pastoral da diocese. Para o Purpurado, o funeral de Jorge Mario Bergoglio — que coincidiu com o Jubileu dos Jovens e dos Adolescentes — ofereceu uma chave de leitura para compreender o seu Pontificado: “Uma primavera, um tempo de semeadura corajosa, voltado a colher os frutos de uma renovação esperada”.
No centro do magistério de Francisco, destacou ainda o Cardeal, está a exortação apostólica Evangelii gaudium: “Ela permanecerá como o farol de todo o seu pontificado”. Segundo ele, Francisco procurou recolocar o Evangelho no centro da vida da Igreja, enfrentando os desafios relacionados aos jovens, à família e ao cuidado pela criação, com um estilo marcado pela escuta e pela saída missionária: “Não podia permanecer na defensiva, nem se fechar em posições de força, muitas vezes percebidas como distantes”.
Nesse sentido, o Cardeal Reina recordou que também o Papa Leão XIV, no último Consistório, “convidou os Cardeais a prosseguirem a reflexão sobre a Evangelii gaudium”. E concluiu: “A primavera iniciada por Francisco continua a fazer sentir o seu perfume”.
Entre os Prelados mais próximos de Papa Francisco esteve também o Cardeal Matteo Zuppi, Arcebispo de Bolonha e Presidente da Conferência Episcopal Italiana, que, no prefácio de um livro recentemente publicado com mensagens do Pontífice à Igreja na Itália (Com rosto de mãe. Discursos e intervenções à Igreja italiana – LEV), recorda: “O Papa Francisco nos pediu insistentemente que não parássemos. ‘Eis, portanto, a primeira tarefa: continuem a caminhar. É preciso fazê-lo’ (Discurso, 25 de maio de 2023). Trata-se de uma conversão concreta: continuar a caminhar ‘deixando-se guiar pelo Espírito’, e não pelos hábitos; não pelas estruturas que tranquilizam; não pelo formalismo que endurece”.
E acrescenta: “Há uma palavra que atravessa tudo: misericórdia. Não como sentimento vago, mas como critério de verdade. A misericórdia não elimina a justiça: torna-a humana. Não cega: torna capaz de ver. É a misericórdia que impede que a Fé se torne ideologia”.
Missa em memória na Casa Santa Marta
A Celebração Eucarística na Casa Santa Marta, residência onde o Pontífice argentino costumava viver e celebrar diariamente, foi presidida nas primeiras horas da manhã do aniversário por Dom Luigi Travaglino, Núncio Apostólico Emérito no Principado de Mônaco.
Na homilia da Missa de sufrágio, preparada pelo Cardeal Angelo Acerbi, Prelado Emérito da Soberana Ordem Militar de Malta, foi recordada a figura do Papa: “Estou certo de que o Papa Francisco se afeiçoou a esta casa, assim como nós a ele. Esse é o espírito da nossa oração de sufrágio neste primeiro ano de sua partida. Ainda o sentimos próximo de nós”.
“Quero recordar sobretudo o ardor apostólico com que enfrentou os anos de seu pontificado, mesmo quando, apesar das limitações físicas, desejou levar adiante sua missão até os confins da terra”, acrescentou o Cardeal Acerbi na homilia.
Celebrações em memória do 266º Pontífice da Igreja Católica
Por ocasião do primeiro aniversário da morte do Pontífice argentino, serão realizados um Rosário e uma Missa na Basílica de Santa Maria Maior, lugar profundamente ligado ao Papa Francisco — onde costumava rezar antes e depois de cada Viagem Apostólica — e que hoje acolhe seus restos mortais.
A homenagem terá início às 17h (UTC+2), na Capela Paulina, com a récita do Terço. Em seguida, será inaugurada, no lado direito da Capela, uma lápide comemorativa que recorda o vínculo especial entre o Papa Francisco e o ícone da «Salus Populi Romani». A placa, em bronze, traz uma inscrição em latim composta por 160 caracteres em dois tamanhos distintos, com o seguinte teor: “Francisco, Sumo Pontífice, que aqui se deteve 126 vezes em devota oração aos pés da Salus Populi Romani, por sua vontade repousa nesta Basílica Papal. 21 de abril de 2026, primeiro aniversário de sua morte”.
Após o Terço, às 18h, será celebrada a Missa, durante a qual será lida uma mensagem do Papa Leão XIV, atualmente em Viagem Apostólica à África. A celebração será transmitida em telão instalado na fachada da Basílica, na Praça de Santa Maria Maior, e também em streaming por Vatican News neste link.
O documentário “Todos, todos, todos”
Ainda por ocasião do aniversário, os meios de comunicação do Vaticano lançaram o documentário de 26 minutos “Todos, todos, todos”, expressão inspirada numa das afirmações mais marcantes de Papa Francisco, pronunciada durante o Dia Mundial da Juventude, em Lisboa, em 2023, que sintetiza a abertura da Igreja a todos.
A produção audiovisual, disponível com legendas em italiano, inglês, espanhol, francês e árabe, reúne imagens de arquivo e sequências simbólicas para narrar o Pontificado do Papa da Misericórdia e das Periferias, destacando seus gestos e mensagens mais emblemáticos.



