“Rabi, onde moras?” A pergunta dos primeiros discípulos a Jesus, em João 1,38, é simples e, ao mesmo tempo, decisiva. Eles querem mais do que uma resposta. Querem saber onde Ele vive, como vive, quem é de verdade. Jesus responde: “Vinde e vede”. Eles vão, permanecem com Ele e, depois daquela experiência, André procura o irmão e anuncia: “Encontramos o Messias”. Em poucas linhas, o Evangelho apresenta um percurso completo: aproximação, convivência, descoberta, amadurecimento e anúncio. É também uma boa chave para compreender o modo salesiano de fazer catequese.

A catequese ganha outro sentido quando o centro deixa de ser apenas a preparação para um sacramento e passa a ser a iniciação à vida cristã. Primeira Eucaristia e Crisma permanecem como momentos fundamentais, mas deixam de funcionar como linha de chegada. Tornam-se parte de um caminho mais amplo, no qual a criança, o adolescente ou o jovem vai aprendendo a reconhecer Cristo na própria história, a participar da comunidade e a transformar a fé em modo de viver. É justamente nesse ponto que a tradição salesiana oferece uma contribuição muito concreta: a fé amadurece quando encontra um ambiente, uma relação e uma experiência capazes de tocá-la por dentro.

Um método que nasce da presença

Dom Bosco percebeu cedo que o jovem se abre mais facilmente quando encontra adultos dispostos a estar perto de sua vida real. Por isso, o pátio ocupa um lugar tão importante no imaginário salesiano. Ali aparecem a espontaneidade, as amizades, os conflitos, as brincadeiras, as inseguranças e as perguntas que dificilmente surgem em ambientes formais. O pátio permite conhecer o jovem por inteiro, e essa proximidade muda a maneira de educar e evangelizar.

Na catequese, o pátio é também uma atitude. Pode ser a quadra, o corredor da igreja, o tempo antes do encontro, a conversa depois da celebração, o grupo que permanece reunido quando a atividade já terminou. É nesse espaço que o catequista percebe o que o jovem está vivendo e encontra caminhos para aproximar o Evangelho de sua experiência. Uma passagem bíblica ganha força quando ajuda a compreender um conflito real. A oração faz sentido quando toca uma angústia concreta e a doutrina se torna viva quando ilumina escolhas, vínculos e projetos.

No processo catequético salesiano, a amorevolezza é essencial. Ela vai além da cordialidade ou do afeto espontâneo; é uma forma de presença educativa que cria confiança e faz o jovem perceber que sua vida importa. Dom Bosco insistia que os jovens precisavam sentir-se amados; essa percepção abre espaço para o diálogo, para a correção, para a proposta e para o crescimento. O catequista salesiano, portanto, não atua apenas como alguém que explica conteúdos. Ele se torna uma presença que acompanha, reconhece ritmos, ajuda a interpretar experiências e oferece referências para que a fé vá tomando forma na vida.

Da preparação sacramental à vida cristã

Uma das perguntas mais importantes para a catequese atual aparece justamente depois da celebração dos sacramentos. Diversas comunidades acompanham crianças e adolescentes por alguns anos, organizam encontros, celebrações e atividades, mas veem parte deles se afastar logo depois da Primeira Eucaristia ou da Crisma. O problema talvez esteja menos na qualidade da preparação e mais na lógica do percurso. Quando tudo é organizado em função do sacramento, corre-se o risco de oferecer uma experiência com data para terminar.

A proposta salesiana ajuda a deslocar esse olhar. A catequese começa a perguntar pelo processo de amadurecimento da pessoa, pela qualidade dos vínculos construídos e pelo lugar que a fé passou a ocupar em sua vida. O conteúdo continua sendo necessário, mas passa a dialogar com a experiência. A Bíblia ajuda a interpretar a própria história, a liturgia ensina a participar de uma comunidade, o serviço desperta responsabilidade, a convivência cria pertença e o acompanhamento sustenta o caminho.

Esse modo de catequisar também exige outra compreensão da formação do catequista. Conhecimento teológico é indispensável, mas precisa caminhar com capacidade de escuta, leitura das realidades juvenis, compreensão das etapas do desenvolvimento e domínio das novas linguagens. A formação permanente deixa de ser um complemento e passa a ser parte da missão. O catequista precisa conhecer a mensagem que anuncia, mas também precisa conhecer cada vez melhor as pessoas que acompanha.

Quando quem encontra começa a anunciar

O final da citação João 1, 41, ajuda a compreender onde esse caminho pode chegar. André permanece com Jesus e, depois, procura Simão. Ele não reproduz uma explicação recebida. Compartilha uma experiência: “Encontramos o Messias”. A fé se torna palavra porque antes se tornou encontro.

É aqui que o protagonismo juvenil ganha sentido. Ele vai além de dar tarefas aos jovens ou colocá-los na organização de uma atividade. O protagonismo amadurece quando o jovem começa a assumir a própria fé, a fazer escolhas e a perceber que também pode acompanhar outros. Quem foi acolhido aprende a acolher. Quem encontrou espaço para falar começa a escutar. Quem amadureceu no grupo pode ajudar quem está chegando.

Esse movimento sempre esteve presente na tradição salesiana. Os próprios jovens se tornam parte ativa do ambiente educativo. Um ajuda o outro, partilha sua experiência, assume responsabilidades e descobre que evangelizar também é criar espaço para que alguém encontre Cristo. A catequese, então, deixa de formar apenas participantes e começa a formar discípulos capazes de falar a outros jovens a partir daquilo que viveram.

O jeito salesiano de catequisar encontra sua força nessa passagem. O pátio aproxima, a amorevolezza sustenta a confiança, o acompanhamento ajuda a dar sentido às experiências, a comunidade cria pertença e o protagonismo abre o caminho da missão. João 1,38-42a oferece a imagem perfeita para esse percurso: primeiro vem o convite, depois a convivência, a descoberta e, por fim, o anúncio.

Talvez seja esse o desafio mais importante para a catequese de hoje: criar caminhos em que o jovem possa deixar de apenas saber quem é Jesus e chegar ao ponto de dizer, com sua própria vida, “Encontramos o Messias”.

 

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