Quatro ativistas da Amazônia venezuelana participaram de uma série de encontros em Madri, no País Basco e em Navarra, visando compartilhar suas experiências de resistência, dar visibilidade às ameaças enfrentadas por suas Comunidades e fortalecer alianças em defesa dos Direitos humanos e do Meio ambiente.
A iniciativa integrou o projeto “Salas de aula em ação diante da emergência climática: alternativas ao modelo de desenvolvimento a partir do feminismo decolonial das ativistas da Orinoquia”, promovido pela Procuradoria Missionária Salesiana de Madri - Misiones Salesianas - em parceria com a Fundação Corazonistas e a Solidaridad con América Latina (SAL). O projeto contou com financiamento da Agência Basca de Cooperação e Solidariedade, e a participação da associação “Mujeres Tejiendo Red” [Mulhres tecendo Rede].
Entre 15 de setembro e 6 de outubro, as ativistas compartilharam experiências e conhecimentos, com instituições, organizações sociais, coletivos feministas e a Sociedade Civil. Os encontros abriram espaço a reflexões sobre a proteção dos territórios indígenas, os impactos do extrativismo e a preservação da Natureza.
Participaram da iniciativa Lisa Lynn Henrito Percy, ativista pelos Direitos dos Povos indígenas; María Arana Conde, artesã e integrante da Organização das Mulheres Indígenas de Autana; Norayma del Valle Ángel, com ampla experiência na área dos Direitos humanos e da Ação humanitária; e Crusita Yuvisay Carabia, Promotora dos direitos humanos e Coordenadora de projetos nas áreas de comunicação, migração, ecologia integral.
Encontros para compartilhar conhecimentos, dar visibilidade à resistência, fortalecer redes
A programação começou em Madri, nos dias 15 e 16 de setembro, e continuou no País Basco até 6 de outubro. Ao todo, foram realizados oito encontros em Vitoria-Gasteiz, Bilbao, Zumaia, Basauri, Urduliz e Sestao, além de atividades em Navarra.
Foram três encontros voltados ao diálogo, sob o título “Mulheres em movimento pela defesa do território-corpo-terra”, e cinco oficinas participativas dedicadas ao cuidado, à dança, à tecelagem, aos sabores e saberes tradicionais, e ao artesanato.
Esses espaços promoveram o intercâmbio entre mulheres de diferentes origens, valorizando seus conhecimentos, suas estratégias de resistência e suas formas de organização comunitária.
Numa das oficinas, as participantes ressaltaram a importância de tornar visível aquilo que as une e de aprender umas das outras. A troca de experiências também foi reconhecida como oportunidade de unir forças, lutar por direitos, construir alternativas coletivamente.
Ação política e alianças: caminhos para dar voz às comunidades amazônicas
Além dos encontros com as comunidades, a iniciativa também teve uma importante dimensão de incidência política. As ativistas se reuniram com representantes de instituições e organizações sociais para apresentar a realidade da Amazônia venezuelana, muitas vezes ausente das prioridades da Cooperação institucional.
Nesses encontros, denunciaram os impactos das atividades extrativistas e as violações de direitos que atingem os Povos indígenas. Também defenderam uma cooperação mais alinhada às necessidades concretas dos territórios e de suas populações.
Durante uma reunião com a Agência Basca de Cooperação e Solidariedade, Norayma del Valle Ángel destacou a importância de construir redes autênticas e conhecer de perto a realidade amazônica. Segundo ela, esse contato é fundamental para promover projetos que correspondam às necessidades locais e deem visibilidade aos impactos do extrativismo.
O balanço da iniciativa foi positivo, tanto pelos espaços de aprendizagem e conscientização criados, quanto pelos vínculos estabelecidos entre as defensoras e as organizações e instituições envolvidas.
Embora os encontros tenham terminado, permanece o empenho por ampliar a visibilidade das vozes, fortalecer alianças e transformar os aprendizados em novas ações de conscientização, participação e incidência política. Afinal, defender o território significa também proteger a vida, os direitos, o futuro das comunidades.



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