Dom Bosco ensinava que “para fazer o bem é preciso ter um pouco de coragem”. Aos 18 anos, o jovem aprendiz Arthur Toledo Carvalho transformou coragem, dedicação e uma paixão cultivada desde a infância em uma iniciativa capaz de abrir caminhos para outras pessoas.
Aprendiz do Banco do Brasil em Marataízes, acompanhado pelo CESAM Cachoeiro de Itapemirim, Arthur inaugurou, em julho de 2026, o Centro de Treinamento Toledo de Jiu-Jitsu, em Marataízes, no sul do Espírito Santo.
Mais do que realizar o sonho de ter seu próprio espaço, ele escolheu levar o centro de treinamento para uma região onde muitos adolescentes e jovens desejavam praticar o esporte, mas encontravam dificuldades de acesso à modalidade.
Assim, um projeto pessoal ganhou um propósito ainda maior: compartilhar conhecimento, acolhimento e novas possibilidades por meio do esporte.
Uma trajetória construída com incentivo, persistência e parceria
A história de Arthur com o jiu-jítsu começou cedo. Aos sete anos seu pai, faixa-preta na modalidade, decidiu matriculá-lo.
Com o tempo, o que havia começado como uma atividade física se transformou em paixão. Pai e filho passaram a evoluir juntos no esporte, fortalecendo não apenas a técnica, mas também a confiança, a parceria e os vínculos familiares.
No início, Arthur era a única criança treinando entre adultos. Quando a academia passou a oferecer aulas infantis, começou a auxiliar os professores e a compartilhar com os alunos mais novos aquilo que já havia aprendido.
Vieram, então, os campeonatos, novos desafios e importantes conquistas — entre elas, um título nacional.
Hoje, aos 18 anos, Arthur reúne 11 anos de experiência com o jiu-jítsu e inicia um novo capítulo: o de professor e responsável pelo próprio centro de treinamento.

Do tatame para a transformação social
A decisão de abrir o CT Toledo de Jiu-Jitsu surgiu de uma realidade que Arthur conhecia de perto.
Sua mãe dava aulas na região rural de Jacarandá, em Marataízes, lugar que ele frequentava e onde construiu muitas amizades. Ali, vários jovens demonstravam interesse pelo jiu-jítsu, mas a distância até os locais de treinamento dificultava o acesso ao esporte.
Foi justamente naquele território que Arthur enxergou a oportunidade de transformar seu sonho em algo que também pudesse beneficiar outras pessoas.
“Confesso que eu estava um pouco nervoso, mas, como já tinha tido uma experiência como professor, tomei coragem e botei a cara para abrir essa academia. Foi investimento, foi trabalho duro, foi cansativo, mas hoje vejo que valeu a pena. O que fiz durante 11 anos no tatame dos outros, agora tenho o meu para fazer. Tenho meus alunos, que me chamam de mestre. Os mesmos meninos que falavam que queriam treinar hoje estão na academia.”
Para tirar o projeto do papel, Arthur precisou desenvolver competências que também fazem parte da preparação para o mundo do trabalho: organização, planejamento, tomada de decisão e liderança.
Agora, depois de tantos anos como aluno, ele assume também o papel de ensinar, orientar e acolher.
“Espero que eles sintam a mesma coisa que eu senti, que se sintam acolhidos e que seja um lugar com o qual possam contar quando estiverem tristes, além de ser um espaço de muito aprendizado.”
Formação integral: aprendizagens que ultrapassam o mundo do trabalho
No CESAM, preparar adolescentes e jovens para o mercado de trabalho também significa contribuir para o desenvolvimento de sua autonomia, de suas potencialidades e de seus projetos de vida.
Por meio do Programa de Aprendizagem Profissional, os aprendizes desenvolvem competências técnicas, socioemocionais e profissionais, ao mesmo tempo em que são incentivados a fortalecer o protagonismo e a capacidade de fazer escolhas para o futuro.
Arthur reconhece que a experiência no CESAM também contribuiu para que pudesse dar um passo tão importante ainda jovem.
“Foi uma contribuição tanto financeira quanto intelectual. As aulas sobre empreendedorismo, principalmente, me ajudaram a seguir o caminho em que estou. Gostei de cada momento passado aqui. Eu não esperava que seria tão bom, superou todas as minhas expectativas.”

A remuneração recebida como jovem aprendiz contribuiu para o investimento necessário para colocar o projeto em prática. Ao mesmo tempo, os conhecimentos adquiridos durante a formação ajudaram Arthur a enxergar novas possibilidades e a desenvolver competências importantes para empreender.
Esse é um dos impactos da aprendizagem profissional: possibilitar que adolescentes e jovens ingressem de forma protegida no mundo do trabalho enquanto ampliam repertórios, descobrem talentos e constroem caminhos com mais autonomia.
Um sonho que começa a transformar outras histórias
A história de Arthur mostra o que pode acontecer quando oportunidade, incentivo, educação, apoio familiar e protagonismo juvenil caminham juntos.
Para o CESAM, acompanhar histórias como a dele também reafirma o propósito da Aprendizagem Profissional Salesiana: contribuir para que adolescentes e jovens reconheçam suas potencialidades, façam escolhas conscientes e se tornem agentes de transformação nos espaços onde vivem.
Como dizia Dom Bosco: “Nossa vida é um presente de Deus, e o que fazemos dela é o nosso presente a Ele.”


