Aos 18 anos, Sarah concluiu sua trajetória como jovem aprendiz e conquistou uma nova oportunidade profissional em uma empresa terceirizada que presta serviços ao Tribunal Superior do Trabalho, onde iniciou sua experiência no mundo do trabalho.
A voz é baixa. O sorriso aparece quando o nervosismo toma conta. Às vezes, ela para no meio de uma frase, ri, procura a palavra certa e tenta novamente.
Aos 12 anos, já pensava em trabalhar. Observava o esforço dos pais, reconhecia tudo o que recebia em casa e queria também fazer a sua parte. Não se tratava apenas de conquistar o próprio dinheiro ou conseguir o primeiro emprego. Havia nela o desejo de começar e escrever a própria história.
Quando seu pai apresentou a possibilidade de ingressar no Programa de Aprendizagem do CESAM-DF, ela viu ali a oportunidade que procurava.
“Eu queria ter essa oportunidade justamente para poder realmente ter o meu primeiro capítulo”, conta.
E o primeiro capítulo começou no CESAM.
Entrar no mundo do trabalho significava, para aquela jovem, descobrir como se posicionar, assumir responsabilidades, conviver com diferentes pessoas e lidar com situações que até então faziam parte apenas do universo adulto que começava a conhecer.
Durante o Programa de Aprendizagem, os educadores Jaqueline e Fábio se tornaram referências em sua trajetória. Samara, sua orientadora, também ocupou um lugar importante nesse processo, acompanhando de perto momentos de dúvidas e de tantas descobertas. Foi nessa convivência que ela começou a perceber que aprender também significava enfrentar aquilo que a deixava insegura.
A rotina, os desafios e as responsabilidades foram ocupando um espaço que antes era tomado pela ansiedade diante do novo. Aos poucos, cada tarefa cumprida e cada situação enfrentada ajudavam a mostrar que era capaz de fazer mais do que imaginava. Foi assim que desenvolveu responsabilidade, organização, dedicação e postura profissional. E algo que levaria para muito além do ambiente de trabalho, lidar com as próprias emoções.
Para ela, isso não significava deixar de sentir ou esconder o nervosismo. Significava aprender a respirar, organizar os pensamentos e seguir em frente mesmo quando a situação parecia difícil.
“Eu digo que todo trabalho vai ter sua dificuldade. E a gente deixar uma situação fazer um calo na nossa mente, na nossa vida, isso só vai atrasar a gente mais ainda”, explica.
No processo, aconteceu algo ainda mais profundo. A experiência profissional deixou de ser apenas o primeiro emprego e passou a fazer parte de uma descoberta pessoal.
Ela começou a se apaixonar pela própria história.
Foi levando essa bagagem que chegou ao Tribunal Superior do Trabalho. Ainda como aprendiz, encontrou uma rotina intensa. A agenda do gabinete, os eventos, os convidados e as diferentes demandas exigiam atenção e responsabilidade. Em determinado momento, durante uma transição na rotina do ministro com quem trabalhava, precisou assumir e organizar suas tarefas e sua própria rotina.
Foi quando aquilo que havia aprendido no CESAM encontrou a realidade.
A formação saiu da sala e ganhou espaço na prática. A responsabilidade passou a ter consequências concretas. A postura profissional deixou de ser apenas algo aprendido e passou a ser uma escolha diária. Aos poucos, descobriu que podia lidar com situações complexas e encontrar seu lugar em um ambiente profissional de grande exigência.
“Se eu não tivesse esse primeiro contato como menor aprendiz, com certeza não seria a profissional e a pessoa que eu sou hoje”, afirma.
A experiência também mudou a forma como passou a se relacionar com as pessoas. Percebeu que o ambiente profissional não é definido apenas pelos cargos ou pelas funções. Para ela, saber se posicionar também significa saber respeitar, e esse respeito precisa existir independentemente de quem está diante dela. Foi uma postura que ajudou a criar vínculos e fez com que conquistasse o carinho e a confiança de pessoas de diferentes áreas do Tribunal.
“Antes eu era conhecida pela filha do Joabe. Hoje eu sou conhecida pela Sarah, pela Sarinha”, conta.
A frase resume uma conquista que vai além do reconhecimento profissional. Aos poucos, a jovem que havia chegado para aprender passou a ser reconhecida pelo próprio nome, pela forma como trabalhava e pelas relações que construiu.
Quando um caminho abre outro
A experiência no TST também despertou uma nova possibilidade. O contato com profissionais da área trabalhista fez com que começasse a enxergar o Direito como uma possibilidade de carreira. Hoje, cursa Direito na Universidade Católica de Brasília. O caminho não estava planejado desde o início. Foi sendo revelado à medida que novas experiências apareciam. Primeiro, o desejo de trabalhar. Depois, o CESAM. Em seguida, o TST. E então, uma nova escolha, o Direito.
A efetivação no Tribunal marcou mais uma mudança nessa trajetória. Ela conta que demorou a acreditar quando soube que continuaria ali como profissional. A nova etapa trouxe também novos planos, seguir com a faculdade, tirar a carteira de habilitação, fazer cursos e ampliar suas possibilidades. Cada conquista passou a representar um novo degrau.
“Eu pude ver que realmente é o momento para eu construir a minha história, para eu me desenvolver”, afirma.
Aos 18 anos, talvez ainda não tenha todas as respostas. E não precisa ter. Ela está apenas começando. O que já descobriu é que uma trajetória não acontece de uma vez. É feita de escolhas, encontros, desafios e pequenas conquistas que, juntas, começam a formar uma história.
A menina de 12 anos que queria trabalhar talvez não imaginasse onde aquele desejo a levaria. Talvez também não imaginasse o CESAM, o Tribunal Superior do Trabalho, a faculdade de Direito ou a responsabilidade de construir o próprio nome em um ambiente profissional. Mas um caminho foi levando ao outro. E ainda há muitos caminhos pela frente.
A jovem aprendiz que um dia chegou ao CESAM, hoje olha para novas possibilidades sem perder de vista aquilo que aprendeu ao longo do percurso. Sabe que não quer ficar parada diante das oportunidades e que nenhuma conquista deve ser motivo para deixar de buscar evolução.
“A gente tem a oportunidade, a gente não pode também se prender a elas. A gente tem que sempre buscar a evolução, melhorias.”
Há algo de muito jovem nessa história e isso precisa ser preservado. Ela ainda fica nervosa, ainda procura as palavras, ainda está descobrindo a vida adulta. Mas já aprendeu que protagonismo não significa ter todas as respostas. Significa participar das escolhas, reconhecer as próprias capacidades, aprender com as dificuldades e ter coragem para continuar.
O CESAM foi o primeiro capítulo profissional de Sarah. Foi o lugar onde encontrou pessoas, experiências e ferramentas que ajudaram a ampliar sua percepção sobre o mundo do trabalho. Os próximos capítulos, ela começa a escrever agora.


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