As implicações do desenvolvimento da inteligência artificial afetam hoje quase todos os aspectos da existência humana. Dirigindo-se a uma delegação da Associação de Faculdades e Universidades Católicas — fundada em 1899, porta-voz do ensino superior católico nos Estados Unidos — o Papa Leão XIV concentrou-se no setor da educação, alertando para a crescente "fragmentação do saber": o risco de adquirir competências especializadas num determinado campo sem ser mais capaz de conectar as informações a um conhecimento mais profundo ou de manter um sentido claro de propósito. São palavras contidas em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, citada durante a audiência concedida na manhã desta quarta-feira, 3 de junho, no gabinete na Sala Paulo VI, no Vaticano, à delegação da entidade estadunidense que chegou a Roma para um seminário. “A luz brilha de dentro hoje!”, afirmou o Pontífice, dando as boas-vindas aos presentes “nesta manhã romana escura e chuvosa”.
“Considerando sua dedicação à tarefa educacional, rezo para que os seus corações sejam cada vez mais cativados pela beleza da verdade e pela grandeza da humanidade, criada por Deus e redimida por Cristo.”
A falta de uma visão global da realidade
Citando a encíclica, Leão XIV observou que, embora não faltem pessoas altamente competentes em áreas específicas, muitas delas "têm dificuldade em dar direção às suas vidas" e manter um "horizonte de sentido".
“Muitas vezes, carecem de uma visão global da realidade capaz de unir não apenas os diversos campos do conhecimento, mas também os múltiplos aspectos da vida e os desejos mais profundos do coração humano.”
Infundir nos alunos a paixão pela verdade
Nesse contexto, a educação católica desempenha um papel essencial na orientação das perspectivas profissionais dos jovens e na condução de seu desejo de conhecimento. O objetivo, explicou o Papa, é ajudá-los a “aprender a buscar e amar a verdade, a questionar-se sobre o sentido da vida e sobre a dignidade de cada pessoa”. Uma tarefa nada simples, reconheceu Leão XIV, pois a busca da verdade exige não apenas estudo e acompanhamento, mas também um forte compromisso pessoal.
“A menos que a educação católica infunda nos alunos uma autêntica paixão pela verdade — e não apenas pela verdade intelectual, mas também pela Verdade que é o próprio Cristo —, dificilmente podemos esperar que as pessoas estejam dispostas a fazer o esforço necessário para reconhecer a verdade e adequar sua vida de acordo com ela.”
Transmitir o “Evangelho vivo”
Citando também a Carta Apostólica “Traçar novos mapas de esperança”, o Pontífice recordou que as instituições católicas devem ser ambientes em que a visão cristã permeie todas as disciplinas e todas as interações. Esta missão é alimentada pela autenticidade com que o “Evangelho vivo” é transmitido, oferecendo na fé católica a “visão unificadora que só a Verdade pode dar”.
Investir na educação das novas gerações
Em um nível prático e pedagógico, Leão XIV destacou as crescentes dificuldades na avaliação do trabalho dos alunos devido à disseminação da inteligência artificial. Essa afirmação foi recebida com risos bem-humorados pelos presentes e pelo próprio Papa, que teve experiência como professor. Ele exortou os educadores a adaptarem "criativamente" seus métodos de ensino para garantir uma educação autenticamente integral da pessoa.
“Nesse sentido, devemos estar dispostos a investir generosamente na educação das futuras gerações. É essencial que os homens jovens e as mulheres jovens aprendam a interagir positivamente com as novas tecnologias, ao mesmo tempo que desenvolvem seus talentos e capacidades doados por Deus de raciocinar, pensar de maneira crítica e confiar o conhecimento à memória, preparando-os assim para moldar de forma responsável o mundo que está por vir.”
A "sã doutrina" para um futuro radiante
Leão XIV concluiu seu discurso, desejando que os estudantes das instituições pertencentes à Associação de Faculdades e Universidades Católicas possam encontrar na "sã doutrina" confiada à Igreja um fundamento autêntico e duradouro não apenas para suas vidas pessoais, mas também para o futuro dos Estados Unidos.

